Coleção 01 · Gestos
O primeiro movimento não precisa de ruído.
Um gesto não prova o que sentimos. Torna-o perceptível — para nós, para o outro ou no espaço que partilhamos.
A forma inicial da intenção
Antes de permanecer, algo precisa de começar.
O gesto é o ponto em que aquilo que existia apenas por dentro ganha consequência no mundo.
Pode ser mínimo: uma palavra escolhida, um objeto colocado à vista, uma presença deixada num lugar. O seu valor não está na dimensão, mas na precisão com que intenção, contexto e matéria coincidem.
Gestos reúne objetos de entrada. Não exigem uma rotina nem prometem transformação imediata. Criam uma primeira evidência — suficientemente simples para acontecer, suficientemente clara para não passar despercebida.
A matéria vem depois da intenção. Mas é ela que lhe dá onde existir.
A quem o gesto se dirige
A mesma intenção muda de forma conforme o lugar onde precisa de chegar.
Por isso, esta coleção não se organiza por tipo de objeto. Organiza-se pela direção do gesto.
Para si
Dar forma ao que não quer voltar a perder no automático.
Para alguém
Tornar inequívoco um reconhecimento que já existia.
No espaço
Fazer com que uma presença continue sem ocupar em excesso.
Três objetos · Três direções
Três formas de começar.
Cada produto nasce de uma função emocional precisa. A forma, a matéria e o ritual existem para a tornar concreta.
Gesto I · Para si
LEMBRE:SE
Uma intenção ganha presença quando deixa de depender apenas da memória.
- Entrada
- Lembrar com escolha.
- Intenção
- Tornar visível aquilo que não quer voltar a perder-se no automático.
- Matéria
- Placa de xisto natural, lápis de pedra-sabão e tecido de linho cru.
Escrever uma palavra. Mantê-la visível. Apagar quando já tiver cumprido o seu papel.
Gesto II · Para alguém
ENTRE NÓS
Reconhecer alguém é tornar visível o lugar que essa pessoa já ocupa.
- Entrada
- Oferecer reconhecimento.
- Intenção
- Transformar uma perceção sincera numa mensagem que possa ser entregue e guardada.
- Matéria
- Três cartões em papel de algodão, envelopes marfim, lápis de cedro e faixa de linho cru.
Escolher alguém. Escrever apenas o que é verdadeiro. Entregar sem acrescentar ruído.
Gesto III · No espaço
VESTÍGIO
Há presenças que continuam depois de o gesto ter terminado.
- Entrada
- Deixar presença.
- Intenção
- Assinalar cuidado num espaço sem o ocupar com excesso.
- Matéria
- Peça aromática de cerâmica porosa, frasco âmbar de 10 ml com composição aromática e cordão de linho cru.
Aplicar três gotas. Escolher um ponto de passagem. Deixar que a presença se revele sem anúncio.
O gesto é o início
Aquilo que se torna visível já não depende apenas de ser sentido.
Pode ser entregue, revisto, repetido. É assim que a intenção deixa de ser abstrata e começa a alterar a forma como nos relacionamos.